Organizações mobilizam esforços e recursos para compor FIIMP 2

Até 28 de fevereiro estão abertas as inscrições para o FIIMP 2. A sigla para Fundações e Institutos de Impacto designa um grupo de fundações e institutos familiares, empresariais e independentes criado em 2016 durante o Lab de Inovação em Finanças Sociais realizado pela Força Tarefa Brasileira de Finanças Sociais (atual Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto).

Unidas com o propósito de aprender, experimentar e investir de forma conjunta em negócios de impacto, 22 organizações compuseram o FIIMP 1. Juntas, criaram um fundo de R$ 737 mil para apoiar seis negócios de impacto – ASID, Mais 60 Saúde, Pano Social, Vivenda, Acreditar e Flávia Aranha – por meio de parcerias com três organizações intermediárias: SITAWI Finanças do Bem, Din4mo Ventures e Bemtevi. Nesse processo, os membros do FIIMP aprenderam um pouco mais sobre diferentes instrumentos financeiros.

Fabio Deboni, gerente executivo do Instituto Sabin, lista quatro aprendizados principais para as organizações que participaram da primeira rodada de investimentos. “Nós pudemos desapegar um pouco da nossa agenda institucional. No FIIMP, nós não necessariamente vamos conseguir fazer ligação do que vai ser trabalhado lá com os nossos temas. Um segundo ponto foi a diminuição de riscos porque se cada um for fazer toda essa operação sozinho, vai ser muito mais difícil aprovar internamente na sua organização. Como terceiro aprendizado, eu acredito que uma tendência do investimento social é o coinvestimento, a atuação em rede, essa mentalidade de aprender juntos. E por último, negócios de impacto é um tema novo e emergente na agenda de institutos e fundações, o que ressalta a necessidade de trabalhar isso juntos.”

O conhecimento construído a várias mãos resultou no Guia FIIMP – Nossa jornada de aprendizado em Finanças Sociais e Negócios de Impacto – para institutos e fundações que desejam apoiar e investir nesse novo ecossistema, lançado durante a Roda de Conversa FIIMP, que aconteceu no Fórum de Finanças Sociais e Negócios de Impacto 2018: Investir para Transformar, realizado em junho de 2018, em São Paulo.

Segunda rodada: o FIIMP 2

Segundo Fabio, a experiência durante o FIIMP 1 foi tão positiva que diversos membros do grupo manifestaram interesse em realizar uma segunda rodada de investimentos, além de outras organizações também terem solicitado a participação nas ações encampadas pelo grupo.

“Não fazia sentido terminar um processo que está funcionando e se saindo bem, se isso poderia gerar experiência para várias outras fundações. Então, faz todo sentido mobilizar novos atores e seguir com essa agenda”, explica o gerente.

Apesar de ter o mesmo nome, a segunda rodada terá regras diferentes. Dessa vez, as organizações interessadas em participar devem estar dispostas a investir R$ 60 mil, o que irá ajudar o FIIMP a compor um fundo de R$ 1,8 milhão, uma vez que a expectativa é reunir 30 institutos e fundações para o novo investimento.

Com mais recursos disponíveis, ampliam-se também as possibilidades de aplicação, com a seleção de mais negócios de impacto. “É um desejo do grupo atuar com negócios de impacto periféricos e com recortes temáticos mais específicos, como gênero e diferentes regiões do Brasil. Isso mostra que a agenda para o FIIMP 2 ganhou corpo”, explica Fábio.

Por isso, a ideia é aumentar o número de intermediários. Enquanto no FIIMP 1 foram três, o FIIMP 2 quer pelo menos dobrar esse número. Apesar de ainda não ter a lista de quem serão esses parceiros, é possível adiantar que os processos serão diferentes. Se na primeira experiência os recursos que eram repassados a cada intermediário iam direto para os negócios na forma de investimento, no FIIMP 2 metade da quantia que o intermediário receber fica retida para ele. Fábio afirma que essa é uma forma de fortalecer o trabalho dessas organizações.

O gerente do Instituto Sabin, organização que participou ativamente do FIIMP 1 e fará parte do FIIMP 2, ressalta ainda que um dos pontos principais da iniciativa é atuar conjuntamente em uma área que ainda é nova e não muito conhecida. “O tema [de negócios de impacto] ainda tem muitas travas e barreiras e muitos institutos e fundações têm receio de se envolver nisso. Constituir um grupo para trabalhar junto foi fundamental. Quando fazemos um investimento de forma coletiva, é mais fácil para as organizações aprovarem os processos internamente, uma vez que não vão expor sua marca sozinha e sim com apoio de outros players.”

As instituições que desejam integrar o grupo têm até a próxima quinta-feira, 28 de fevereiro, para entrar em contato pelo e-mail [email protected].

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