Programa Tributo ao Futuro aposta em jovens para mudarem realidade no sul da Bahia

 

Como uma forma de promover a transformação social e oferecer aos jovens ferramentas para melhoria da qualidade de vida de comunidades de regiões rurais do sul da Bahia, a Fundação Odebrecht lançou, há 14 anos, o programa Tributo ao Futuro – Novas Gerações.

Trata-se de uma iniciativa que mobiliza tanto integrantes do Grupo Odebrecht, quanto funcionários de empresas parceiras e a população local, para realizar doações com o objetivo de viabilizar projetos educacionais focados na adolescência. Esse apoio é feito às três Casas Familiares, unidades educacionais da região que recebem meninas e meninos no primeiro ano do Ensino Médio para que cursem os três anos dessa etapa e, ao final, recebam o diploma de conclusão, assim como o diploma do Ensino Técnico.

Cristiane Nascimento, coordenadora do Tributo ao Futuro, explica que as motivações para o surgimento do programa estão muito ligadas à região onde é desenvolvido. Segundo a especialista, a Fundação tem grande apreço pelo baixo sul da Bahia, uma vez que foi lá que começaram as primeiras obras do Grupo Odebrecht. “É uma região onde, de certa forma, as oportunidades se abriram. As equipes que trabalham lá foram aos poucos criando um laço com o local”.

Além disso, Cristiane explica que a contradição existente no território chamou atenção do Grupo, que viu a possibilidade de desenvolver uma iniciativa de sucesso. “É um lugar com uma riqueza enorme em termos de biodiversidade: tem mata, mangue, rio, muitas nascentes e cachoeiras, bastante mata atlântica, além da vocação para diversas culturas e especiarias, como canela, cravo, pimentas diversas, fruticultura, frutos do mar, entre muitas outras. Mas, há 14 anos, a região tinha um dos piores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) do país. Foi essa possibilidade que vimos para investir no local, que mesmo pequenas ações pudessem reverter o quadro ou pelo menos trazer um avanço. A potencialidade já estava instalada”, argumenta a especialista.

Sendo assim, foram fundadas as Casas Familiares, escolas rurais que operam no sistema que a Fundação chama de “alternância”. Assim, durante uma semana, os adolescentes permanecem nas casas em regime integral. Isso significa que, nesse período, dormem e realizam todas as refeições, atividades esportivas e pedagógicas  na escola. Nas duas semanas seguintes, os alunos ficam em suas casas e lá recebem um monitor, para acompanhar suas atividades escolares e o desempenho de projetos na terra da família.

Para que o jovem possa experimentar em casa a tecnologia que aprende na escola, o projeto oferece também os insumos e materiais, como semente, adubo, máquina, equipamentos de produção individual, entre outros.

Esse sistema, regulamentado pela Secretaria de Educação do Estado da Bahia, também é reconhecido pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura). As três Casas Familiares fazem parte do Programa Escolas Associadas (PEA). Presente em 130 países, reúne instituições de ensino que ajudam a criar uma rede internacional de escolas dedicadas à ideia da cultura da paz.  

Nesse sentido, o impacto do projeto não se restringe somente à vida dos jovens e de suas famílias. Segundo Cristiane, muitos alunos terminam o Ensino Médio no programa e tornam-se líderes e fundadores de associações na região, uma vez que são incentivados a pensar na coletividade e no impacto que podem causar em toda a comunidade.

“Nós acreditamos que uma grande riqueza criada na região é essa capacidade dos jovens de ter um protagonismo, de reconhecerem seus direitos e ter uma visão crítica. Enquanto que o pai ou o avô trabalhou a vida toda e conseguia muito pouco dessa agricultura de subsistência, o filho ou a filha traz novas tecnologias e manejos mais eficientes, que permitem uma produtividade melhor com menos trabalho braçal. Eles levam para casa todo esse aprendizado e, aos pouquinhos, vão transformando aquela realidade”.

Além disso, Cristiane ressalta que participar do Tributo ao Futuro é uma forma de buscar caminhos alternativos à violência presente na região. “Muitos alunos chegam nas Casas Familiares dizendo que querem um futuro sem medo, longe desse caminho da violência. Eles escolheram ser a referência positiva”.

As formas de doação

Somente na campanha de arrecadação de 2017, o programa atingiu números consideráveis: foram R$ 2,2 milhões levantados por 4800 participantes. Aos interessados em contribuir, o repasse financeiro pode acontecer de duas maneiras: pela doação direta ou por meio de incentivos fiscais. No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) possibilita que os contribuintes do Imposto de Renda (IR) na sua versão completa possam destinar parte do imposto à Fundos Municipais dos Direitos da Infância e Adolescência (FMDCA), geridos pelos Conselhos Municipais (CMDCA).   

Apesar da doação, existe um trâmite necessário para que o repasse aconteça, começando pela abertura de um edital, por parte do município, para validar as instituições aptas a receberem recursos. Com a chancela de captação em mãos, organizações como as Casas Familiares recebem o financiamento pleiteado no projeto apresentado.

“Trata-se de um dinheiro público que, depois de captado, vai para o Fundo Municipal para que o Conselho administre. Entretanto, o Conselho de cada cidade já reconhece o trabalho realizado e sabe do nosso esforço de captação”, ressalta Cristiane.

A partir do momento que as Casas recebem o recurso, existe uma gama diversa de aplicações do dinheiro. “O repasse é usado para o custeio da instituição, com o custo por aluno, formação de professores, materiais de plantio, livros etc.”, enumera Cristiane. Mas, a coordenadora da iniciativa ressalta que a arrecadação do Tributo ao Futuro sozinha não é suficiente para cobrir todos os custos necessários para continuidade do projeto. Por isso, trata-se de uma composição do orçamento, com a participação de outros parceiros, como a Secretaria de Educação do Estado da Bahia.   

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