Publicação aponta 7 reflexões e aprendizados sobre os 18 meses de pandemia

As cenas da população de Manaus (AM) em busca de cilindros de oxigênio para auxiliar seus entes queridos durante a pandemia de Covid-19 sensibilizaram o Brasil. Logo, artistas, organizações sociais e empresas se mobilizaram para arrecadar o produto essencial para a manutenção da vida dos pacientes. Esse é apenas um exemplo das inúmeras ações de solidariedade ocorridas durante a maior crise sanitária de que se tem notícia.

O projeto Mães da Favela, da Central Única das Favelas (CUFA), é um exemplo de trabalho colaborativo e multissetorial que ganhou ainda mais força nesse período. A parceria entre empresas, institutos e fundações arrecadou mais de R$ 400 milhões, em 2021. O montante, convertido em cestas básicas, resultou em mais de 43 milhões de toneladas de alimentos doados e atendeu a cerca de 13 milhões de pessoas em todos os estados do país e no Distrito Federal.

A iniciativa da CUFA é uma das citadas na publicação 7 reflexões e aprendizados sobre a Covid-19: 18 meses depois, elaborada pela ponteAponte, responsável por outras duas análises voltadas ao período pandêmico: Consolidação de mapeamentos, campanhas e outras iniciativas contra a Covid-19 e Os primeiros 60 dias de Covid-19 no Brasil em 60 fatos, reflexões e tendências em filantropia, investimento social e no campo de impacto social.

O que aconteceu com as centenas de iniciativas lançadas em prol do combate aos efeitos sociais e econômicos, para além das questões de saúde em si, provocadas pela Covid-19? A resposta para essa questão norteou a produção da atual análise da ponteAponte, que precisou fazer uma pesquisa de dados para saber o status atual de cada iniciativa.

Conheça as sete reflexões e aprendizados:

Reflexão 1: mesmo em situações emergenciais, podemos aprender a equilibrar melhor curto, médio e longo prazos, desenvolvendo senso de timing e capacidade de planejamento e antecipação de problemas.

Reflexão 2:  a despeito dos desafios, a sociedade civil – em seu mais amplo espectro – volta a emergir e se fortalecer como um pilar fundamental em situações de crise como esta.

Reflexão 3: as iniciativas multissetoriais ou construídas em rede tendem a ter mais ‘fôlego’ e conseguiram se manter ativas por mais tempo do que as centenas de micro ações que surgiram no início da pandemia, além de promoverem resultados mais sistêmicos.

Reflexão 4: precisamos entender melhor quais são os papéis do investimento social e da sociedade civil na saúde pública brasileira para incidirmos com cada vez mais qualidade.

Reflexões 5 e 6: mesmo sendo difícil prever que a pandemia duraria tanto, precisamos investir em uma comunicação mais clara (5), tendo como resultado direto maior transparência (6) das iniciativas e, consequentemente, confiabilidade e engajamento para além do pontual.

Reflexão 7: o próximo passo é fazer das reflexões, aprendizados e ações concretas.

Prestação de contas

A diretora institucional da ONG Acreditar, Lilian Prado, analisa que esta publicação contribui para mostrar a importância das ações da sociedade civil. “A pandemia revelou como a sociedade civil é importante, o quanto ela pode se mobilizar, angariar recursos e as empresas também. Foi uma coisa fantástica.”

Toda essa articulação foi esmiuçada também pelo Monitor das Doações Covid-19, organizado pela Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ACBR). A plataforma conseguiu contabilizar cerca de R$ 7 bilhões mobilizados em ações voltadas ao combate da pandemia, sendo quase R$ 4 bilhões resultantes diretamente de 557 campanhas em todo o país. 

O portal traz uma diversidade de informações sobre as arrecadações, como a listagem de empresas e os valores doados. Essa transparência de dados e ações apoiadas é um dos pontos de atenção analisados pela ponteAponte.

“A análise das iniciativas contra a Covid-19, um ano e meio depois, nos mostra que ainda falta transparência ou, ao menos, maior clareza na comunicação e apresentação dos resultados: em muitos casos, sequer conseguimos saber, a partir dos dados públicos, se a ação ainda estava ativa ou se havia sido encerrada, bem como o total de arrecadações e/ou os públicos atendidos”, aponta o estudo.

Uma das principais reflexões apontadas no livro é de que a mobilização e o engajamento do investimento social privado, dos governos e da sociedade civil precisam continuar. “A transformação do auxílio emergencial em uma renda básica permanente, para mim, é uma das grandes agendas. É uma agenda que tem que ser implementada pelo poder público, mas que a sociedade civil pode ajudar a empurrar”, aponta, na publicação, Mariana Almeida, superintendente da Fundação Tide Setubal.

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