Recém criado, Instituto ACP aposta no desenvolvimento institucional de iniciativas da sociedade civil organizada

Setembro marca a chegada de mais um novo associado ao GIFE. O Instituto ACP foi criado em 2019 em função de sua crença no poder da sociedade civil atuar como vetor do desenvolvimento brasileiro. 

Com uma atuação guiada por cinco princípios – confiança e transparência, diálogo e empatia, compromisso, aprendizagem mútua e desburocratização -,  o Instituto tem como propósito contribuir para o fortalecimento institucional de iniciativas que contribuem para um impacto positivo na sociedade, sejam elas organizações da sociedade civil (OSCs), movimentos sociais, redes, coletivos ou negócios de impacto. 

Rodrigo Pipponzi, vice-presidente do Instituto – e também empreendedor fundador da Editora MOL, um negócio de impacto -, explica que além do desejo da família de devolver para a sociedade, outra motivação para a criação do Instituto foi a vontade de que a filantropia passe a fazer parte do legado familiar. 

Desenvolvendo instituições 

A ideia de apoiar projetos de fortalecimento institucional das iniciativas surgiu a partir de uma experiência de apoio a três organizações em 2018. “Antes de formalizar o Instituto, a família apoiou, experimentalmente, projetos conectados com os interesses de cada indivíduo, na intenção de aprender sobre esse lugar de investidor social . Quando paramos para analisar essa experiência, percebemos que havia um elemento comum entre os projetos apoiados relacionado com aprimoramento de gestão e governança das iniciativas”, explica Danielle Fiabane, que assessorou a família nesse processo. O fato desse tipo de investimento ser raro no terceiro setor, com poucos investidores dispostos a apoiar projetos de desenvolvimento organizacional, motivou ainda mais a decisão da família de estruturar a atuação do Instituto com este foco.

Há o desejo de estabelecer relações que, de alguma maneira, sejam participativas e possam ir além do financiamento. Os temas da agenda de desenvolvimento institucional permitem essa interface, uma vez que o Instituto foi criado por uma família empresária, que fala essa língua.

Além disso, o Instituto ACP espera promover intercâmbios de boas práticas de gestão e produzir e difundir conhecimento sobre os temas do desenvolvimento organizacional de maneira a ampliar seu impacto.

Seleção 

O processo de seleção do Instituto ACP acontece anualmente por meio de carta convite.  Os critérios da curadoria que escolheu dez iniciativas para receberem a carta-convite em 2019 foram: ter um histórico de realizações; ser referência no que faz; ter lideranças inspiradoras e equipes comprometidas; ter um perfil colaborativo; apresentar desafios ou oportunidades latentes; e ter bons planos para superá-los. Na banca de seleção final com os conselheiros do Instituto, também foi considerado em que grau o investimento do Instituto seria transformador para cada iniciativa.

A ideia de buscar ativamente cada iniciativa e contornar o modelo de editais também veio da vontade de desburocratizar a relação entre apoiados, os grantees, e apoiadores, os grantmakers. “Nós reconhecemos que, atualmente, as organizações passam muito tempo e dedicam muita energia ao participar de diversos processos seletivos muito demandantes. Queremos ser simples e estamos dispostos a aprender”, diz Danielle. 

Projetos e apoio 

Atualmente, o portfólio de apoios do Instituto ACP é composto por oito iniciativas: Projeto Ondas, Instituto Patrícia Medrado, Associação Amigos do Projeto Guri, Instituto Rodrigo Mendes, Agência Solano Trindade, Artemisia, Banco de Alimentos e Vagalume. 

O apoio financeiro é de R$ 200 mil no primeiro ano, R$ 150 mil no segundo e R$ 100 mil no terceiro. O Instituto reconhece que projetos de desenvolvimento organizacional levam tempo, por isso, constrói parcerias de 3 anos, com valor de investimento decrescente a cada ano.

 “A nossa intenção é aprender junto com os apoiados. Temos um desejo muito grande de participação para ir além do financiamento apenas, mas estamos atentos ao peso do poder de um financiador e aos limites dessa participação. Prezamos pela autonomia das lideranças que apoiamos e queremos promover a cultura da confiança no setor. Nossa troca vai além da prestação de contas e foca no compartilhamento de aprendizados que possam ser sistematizados e difundidos ”, explica Rodrigo. 

No horizonte futuro está a vontade de sistematizar o conhecimento que emerge do processo de desenvolvimento das iniciativas apoiadas. Estão elaborando a ideia de escrever cases sobre esses projetos e disponibilizar no site. Assim, uma organização que desejar fazer uma avaliação de impacto pode consultar a experiência da Artemisia, por exemplo. Além disso, o Instituto procura fazer pontes e promover troca de indicações de fornecedores entre as iniciativas apoiadas.

Associação ao GIFE 

A decisão de associar-se ao GIFE deve-se ao fato de os objetivos do grupo e do Instituto ACP conversarem diretamente. “Como nós temos o propósito de fortalecer a sociedade civil organizada e existe uma associação que se dedica a isso, nós temos que estar juntos e apoiá-la. Nos associar ao GIFE é fazer jus ao nosso propósito de fortalecimento desse campo.” 

Além disso, destacam algumas Redes Temáticas do GIFE como importantes espaços de aprendizado, tais como a de Grantmaking e de investimento social familiar. Esperam também advogar por mais espaço e investimentos para a pauta de desenvolvimento organizacional por entender o quanto as organizações precisam desse apoio, que está cada vez mais raro.

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