Workshop em São Paulo reúne institutos e fundações para lançamento do FIIMP 2

Nos dias 7 e 8 de novembro, aconteceu em São Paulo um workshop para discutir a realização do FIIMP 2. O FIIMP 1, sigla para Fundações e Institutos de Impacto, é um grupo composto por 22 fundações e institutos familiares, empresariais e independentes criado em 2016 a partir do Lab de Inovação em Finanças Sociais realizado naquele ano pela Força Tarefa Brasileira de Finanças Sociais, atual Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto.

Estabelecida como uma rede de aprendizado, a iniciativa tem como objetivo reunir entidades para que juntas possam aprender, acompanhar e conhecer diferentes formas de investimentos em negócios de impacto socioambiental e seus respectivos resultados a partir de uma variedade de mecanismos financeiros, conhecendo o campo mais profundamente para fortalecê-lo e inspirar o investimento de outros atores sociais.

Durante sua atuação em 2017 e 2018, o grupo procurou respostas a questionamentos como a forma com que institutos e fundações podem investir em negócios de impacto socioambiental, quais são os melhores caminhos, quais cuidados devem ser tomados, como monitorar o impacto social dos investimentos, entre muitos outros. Durante o percurso, foi mantida a crença de que negócios também podem resolver problemas sociais e ambientais e que, com um modelo econômico, produtos e serviços sustentáveis, podem gerar retorno financeiro.

Para entrar no grupo, cada organização fez um investimento de dez mil dólares. Em quase dois anos de atuação, a rede criou um fundo de R$ 737 mil, usado para subsidiar as atividades e apoiar seis negócios de impacto – ASID, Mais 60 Saúde, Pano Social, Vivenda, Acreditar e Flávia Aranha – por meio de parcerias com três organizações intermediárias: SITAWI Finanças do Bem, Din4mo Ventures e Bemtevi. Cada intermediário investiu em um negócio de impacto de área diferente usando três instrumentos financeiros.

Todos os processos e testes renderam inúmeros aprendizados que incitaram no grupo a vontade de sistematizá-los. Por isso, durante a Roda de Conversa FIIMP, que aconteceu no Fórum de Finanças Sociais e Negócios de Impacto 2018: Investir para Transformar, realizado em junho, em São Paulo, foi lançado o “Guia FIIMP – Nossa jornada de aprendizado em Finanças Sociais e Negócios de Impacto – para institutos e fundações que desejam apoiar e investir nesse novo ecossistema”.

Fabio Deboni, gerente executivo do Instituto Sabin, ressalta que as instituições envolvidas no FIIMP 1 participaram de um ambiente rico de trocas. Em suma, ele enumera quatro aprendizados principais. “Nós pudemos desapegar um pouco da nossa agenda institucional. No FIIMP, nós não necessariamente vamos conseguir fazer ligação do que vai ser trabalhado lá com os nossos temas. Um segundo ponto foi a diminuição de riscos porque se cada um for fazer toda essa operação sozinho, vai ser muito mais difícil aprovar internamente na sua organização. Como terceiro aprendizado, eu acredito que uma tendência do investimento social é o coinvestimento, a atuação em rede, essa mentalidade de aprender juntos. E por último, negócios de impacto é um tema novo e emergente na agenda de institutos e fundações,o que ressalta a necessidade de trabalhar isso juntos.”

Por sua vez, Márcia Soares, gestora de parcerias e redes do Fundo Vale, explica que a organização estava em um processo de estruturação de um programa de negócios sustentáveis para a Amazônia e que participar do grupo foi fundamental. “Hoje, nós temos um repertório incrivelmente maior por causa do FIIMP, muito maior do que se nós tivéssemos tentado aprender sozinhos. Com o volume de recurso compartilhado entre esse grupo, pudemos experimentar diferentes instrumentos financeiros na prática porque até poderíamos nos informar, ler materiais sobre o tema e conversar com pessoas, mas é diferente de efetivamente apoiar negócios e ver na posição de institutos e fundações quais são os desafios e dificuldades, tanto operacionais, quanto jurídicas”, explica.

O FIIMP 2

Criar o FIIMP 2, ou seja, um novo grupo de fundações, institutos, empresas e outras organizações, surgiu a partir da vontade dos 22 membros do FIIMP 1 estenderem a experiência para outros atores do ecossistema de finanças sociais e negócios de impacto. “O FIIMP 1 foi um aprendizado muito rico. Não fazia sentido terminar um processo que está funcionando e se saindo bem, se isso poderia gerar experiência para várias outras fundações. Então, faz todo sentido mobilizar novos atores e seguir com essa agenda”, explica Fábio.

O gerente executivo ressalta que apesar de usar o mesmo nome do primeiro grupo, trata-se de uma nova experiência para que mais organizações possam construir conhecimento coletivo sobre o financiamento de negócios de impacto. “Ao longo do processo do FIIMP 1, várias organizações souberam o que estávamos fazendo e se aproximaram, pois queriam participar também. Só que como estávamos trabalhando com investimento financeiro, não dava para entrar no meio do caminho. Por esse interesse, entendemos que havia espaço para aproximar outros institutos e fundações, uma vez que tudo o que estamos fazendo está baseado em uma recomendação da Força Tarefa [Brasileira de Finanças Sociais] de aumentar o protagonismo dessas organizações no tema de investimento de impacto”, completa Márcia.

Nesse sentido, o workshop realizado nos dias 7 e 8 de novembro, em São Paulo, foi uma forma de convidar novos atores a participar dessa rede de aprendizado. Entre os objetivos do FIIMP 2 estão gerar mais conhecimento, agregar mais segurança para que fundações e institutos tenham um papel relevante no investimento social em negócios de impacto, ampliar a atuação para um contexto nacional, entre outros.

A ideia é que o novo grupo seja formado por trinta organizações novas, além de organizações de fomento e algumas participantes do FIIMP 1. Além dos objetivos citados acima, o grupo tem metas em conjunto como criar um fundo de pelo menos R$ 1, 8 milhões em dois anos, utilizar diferentes mecanismos de financiamento, apoiar a jornada do empreendedor e duplicar ou triplicar o número de parceiros intermediários.

“Nesse workshop realizado agora, nós definimos que dezessete intermediários vão receber uma carta convite. Aqueles que responderem participarão de um workshop em março de 2019, onde fecharemos seis ou nove intermediários que serão parceiros do FIIMP2. Esses intermediários são organizações que fazem trabalhos de fortalecimento de gestão desses negócios de impacto, processos popularmente chamados de aceleração e incubação, e fazem conexão com investidores”, explica Fábio.

Essa é outra diferença entre o FIIMP 1 e 2. Enquanto no primeiro grupo todo o recurso levantado foi destinado ao apoio dos negócios, o segundo optou por destinar parte do recurso aos intermediários, como forma de apoio institucional destinado ao seu fortalecimento, e a outra parte aos negócios de impacto que serão apoiados.

Para alcançar essas metas serão necessários alguns compromissos individuais de cada empresa que desejar fazer parte do FIIMP 2. Um deles é o investimento de R$ 60 mil dividido entre 2019 e 2020.

Inscrições

Para que cada vez mais institutos e fundações tenham familiaridade com o tema de negócios de impacto e a forma de realizar investimentos, Fábio destaca a importância de participação no FIIMP2. “Essa é uma oportunidade bem interessante de reforçar a perspectiva do coinvestimento, da atuação em rede e da colaboração entre as fundações, com algumas mais à frente do tema e outras se apropriando. Nós vemos que precisamos de mais atores, institutos e fundações nesse barco porque há muitos desafios para serem trabalhados no tema de negócios de impacto”.

Algumas organizações que participaram do FIIMP 1 já demonstraram interesse em participar dessa segunda rodada de aprendizado e investimento. Entretanto, Fábio e Márcia, representantes de duas organizações que participam do Grupo de Trabalho de coordenação da iniciativa, ressaltam que novas interessadas podem e devem se manifestar.

As instituições que desejam integrar o grupo têm até 31 de janeiro para entrar em contato pelo e-mail fabio@institutosabin.org.br.

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