GIFE e CEERT lançam Iniciativa Equidade Racial

Cerca de 54% das 206 milhões de pessoas que compõem a população do Brasil são negras. Apesar disso, apenas 5% compõem os quadros executivos das 500 maiores empresas do país.  Quando o assunto é diversidade de gênero, pessoas trans são as que menos têm oportunidade entre Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transsexuais, Travestis e Intergênero (LGBTI). Esses foram alguns dos dados apresentados durante o lançamento da Iniciativa Equidade Racial – uma realização do GIFE em parceria com o Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT) -, realizado no dia  28 de agosto, na sede do Itaú Social, em São Paulo. 

José Marcelo Zacchi, secretário geral do GIFE, fez uma retomada histórica desde o X Congresso GIFE, realizado em abril de 2018, quando o tema da equidade ganhou mais força no trabalho da instituição, assim como a demanda por discussões sobre o assunto. 

“A iniciativa Equidade Racial partiu de uma provocação da Cida Bento, do CEERT, sobre o que mais poderíamos fazer para avançar na agenda de equidade racial de forma geral e, de forma mais específica, como promover o tema no âmbito da filantropia, do investimento social privado e na rede do GIFE. A proposta gira em torno de replicar os processos de diagnóstico e ações de enfrentamento da ausência de diversidade e as iniquidades raciais que o CEERT fez com bancos e escritórios de advocacia com os associados ao GIFE”, afirmou.  

Além da realização de uma mesa específica durante o Congresso, intitulada O que o ISP pode fazer por equidade racial?, o GIFE uniu-se a Instituto Unibanco, Fundo Baobá e CEERT para lançar um guia homônimo. Trata-se do segundo tema da série O que o ISP pode fazer por…?, cuja finalidade é chamar a atenção do Investimento Social Privado (ISP) para desafios da agenda pública sobre os quais a atuação do setor ainda é tímida e apoiar investidores que tenham interesse em iniciar ou fortalecer sua atuação nesses temas. 

“Para nossa alegria, no lançamento do ISP Por surgiu com muita força uma demanda de como poderíamos preservar um espaço de ação coletiva para avançar cada vez mais nesse tema nos âmbitos do ISP e da filantropia, a fim de seguir cooperando e ajudando a irradiar o que está sendo feito na prática”, pontuou o secretário. 

A Iniciativa Equidade Racial se divide em duas frentes. A primeira corresponde à criação de uma rede de institutos e fundações interessados em debater, compartilhar e estudar experiências e compor esse espaço perene de troca. Erika Sanchez Saez, consultora técnica do GIFE, afirma que o grupo seria organizado no mesmo modelo das Redes Temáticas do GIFE. A primeira ação desta nova RT será a outra frente da iniciativa: a criação do grupo de trabalho Iniciativa Equidade Racial no ISP, com um processo de diagnóstico e acompanhamento realizado pelo CEERT e coordenado pelo GIFE. 

Equidade Racial no ISP 

Cida Bento, coordenadora executiva do CEERT, lembrou que a insistência da instituição sobre a importância de discutir equidade racial junto ao setor é antiga. “Juntamente com Sueli Carneiro e Ana Toni, realizamos uma mesa no GIFE sobre o tema há muitos anos. Em 1995 foi a primeira vez que fizemos reuniões estratégicas para pensar raça e gênero em instituições de Belo Horizonte (MG). E isso tem a ver com a paixão do CEERT de trabalhar dentro das instituições, de entender por que, depois de dez anos, uma pessoa avançou dentro da empresa e outra não”, observou. 

A ideia inicial da Iniciativa é, depois da realização de um evento de sensibilização, formar um grupo de 10 a 15 organizações que se sintam mobilizadas e motivadas a discutir equidade racial no presente momento. “Nós queremos estimular e contribuir para que essas instituições olhem para essas questões internamente, mas não só para seu quadro de funcionários, mas para seus parceiros e fornecedores, para o que fazem no território, para os serviços que prestam ou produtos que vendem, para o tipo de conhecimento que produzem”, reforçou Cida. 

Para cumprir com esse objetivo, a proposta de trabalho se orientará por quatro eixos. Em dimensão temática, o intuito é conectar a equidade racial com o tema de cada instituição com a realização de três seminários. Em dimensão diagnóstica, o CEERT irá adaptar os processos do Censo de Diversidade – pesquisa que realiza desde 2006 – às especificidades do GIFE e das organizações que compõem o grupo. Para explicar detalhadamente o que é diversidade e equidade, o CEERT apresentou durante o encontro o vídeo da campanha do Censo da Diversidade da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN)

Na dimensão de intervenção institucional, serão realizados encontros com funcionários das organizações e especialistas em diversos aspectos no âmbito do grande escopo do tema da equidade racial. A ideia é, segundo Cida, envolver diversos departamentos nos debates, como jurídico, marketing, comunicação e recursos humanos. Por fim, a dimensão de governança diz respeito à coordenação e interface do GIFE com as organizações que participarão do processo, que deve durar aproximadamente seis meses. 

O percurso e outras iniciativas 

Erika ratificou a fala de José Marcelo ao reforçar que nos últimos dois anos, o tema da equidade racial tem sido pautado com mais frequência e em mais espaços permeados pelo GIFE. A Rede de Investidores (RIS) do Interior Paulista, por exemplo, realizou um planejamento estratégico para 2019 com a escolha do tema Equidade e Diversidade como fio condutor para sua atuação. 

Já a Rede Temática de Negócios de Impacto também se atentou para o assunto e realizou seu nono encontro com o tema Diversidade no Campo dos Negócios de Impacto Social

Selma Moreira, diretora executiva do Fundo Baobá, apresentou outra iniciativa importante sobre o mesmo tema: a criação do Fundo Empoderamento e Protagonismo Político de Mulheres Negras, inspirado na vereadora Marielle Franco – assassinada em março de 2018, no Rio de Janeiro (RJ). Anunciado durante o X Congresso GIFE, o primeiro edital da iniciativa – composta por Fundação Ford, Open Society Foundation, Instituto Ibirapitanga, Fundo Baobá e Fundação Kellog – será lançado na primeira semana de setembro e terá como objetivo selecionar 60 mulheres negras de diferentes realidades e capacitá-las para que possam ocupar espaços de liderança. 

“O racismo é estruturante na nossa sociedade. Ações pontuais são muito válidas, mas precisamos de mais modelos estruturantes porque temos muito tempo de atraso para recuperar”, afirmou. 

Próximos passos 

Entre os próximos passos da iniciativa estão identificar quais organizações se interessam em compor o grupo de trabalho e detalhar a proposta de investimento de cada organização com base na lista de interessadas. O início dos trabalhos está previsto para novembro. 

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