GIFE faz balanço de ações e apresenta desafios até 2021

Resumo das atividades de 2017, pesquisa de satisfação, diretrizes estratégicas e plano de ação para 2018, além da eleição do novo Conselho fiscal foram as principais pautas da Assembleia Geral Anual 2018 do GIFE que aconteceu dia 20 de junho, em São Paulo. O relatório de atividades referente a 2017 pode ser acessado aqui.

Segundo José Marcelo Zacchi, secretário-geral no GIFE, o esforço inicial de planejamento foi pensar para além de 2018 a partir de diálogos internos e análises da conjuntura externa que se apresenta a novas agendas, novas convergências. “Algumas perguntas orientaram esse planejamento, como quais as contribuições do GIFE neste momento, como construirmos um tecido que dê conta dos desafios atuais, como desenhar um planejamento menos vertical e mais rizomático já que temos uma característica de plataforma, de sermos um hub, uma centrífuga com várias lideranças e, por isso, também muita diversidade de ações”, pontua ao apresentar o documento de proposições até 2021.

A compreensão do grupo como plataforma para o fortalecimento social do investimento social privado no Brasil, alimentada pela diretriz Democracia, cidadania universal e desenvolvimento sustentável, estruturou o planejamento em três frentes: expansão de atores, recursos e diversidade; boas práticas, articulação e efetividade; conexão com sociedade civil e políticas públicas. “O exercício que vem nos orientando é pensar como o investimento social (ISP) pode ser exercido com mais qualidade, com mais efetividade no sentido de contribuir para o fortalecimento da sociedade como um todo. Dialogamos com primeiro, segundo e terceiro setores e desejamos que o ISP esteja cada dia mais presente a serviço do bem público”, ressalta José Marcelo.

Novos horizontes à vista

Fomento, Fortalecimento e Disseminação são as três dimensões que sustentam um conjunto das funções distribuídas em rede, ambiente, conhecimento e cooperação.  A promoção da cultura de doação, fortalecimento dos ISP familiar, empresarial e independente, além dos negócios de impacto com estímulos a novos atores, estão nas metas para desenvolver a frente Fomento. Já na de Fortalecimento, está planejada a implantação e solidificação do Fundo BIS que é primeiro edital brasileiro destinado exclusivamente para ampliar a cultura, o volume e a qualidade das doações no Brasil. Em relação à Disseminação, estão previstos aumento de parcerias e incremento do uso das mídias no RedeGIFE. “Um dos desafios é olhar mais para nossas práticas. Já desenvolvemos metodologias e precisamos coloca-las à disposição da sociedade. Nos enxergando internamente, nos enxergamos externamente. Trata-se de uma retroalimentação”, pondera.

Retrospectiva 2017

O evento teve início com a comemoração da chegada de 15 novos integrantes em 2018. Com eles, o GIFE está hoje com 142 associados. 50% dos associados são institutos e fundações empresariais, 19,7% institutos e fundações familiares, 14,8% empresas, 14,1% institutos e fundações independentes, 0,7% de parceiros da academia e outros 0,7% institutos e fundações comunitárias.

“Essa diversidade possibilita uma ampla pluraridade de ações que se complementam”, diz Camila Aloi, assessora de relacionamento. Os novos associados são: Instituto Beatriz e Lauro Fiuza (IBLF), Instituto Cultural Usiminas, Instituto Betty e Jacob Lafer, Instituto BRB, Instituto Conceição Moura, Associação Samaritano, Instituto Aegea, Instituto Humanize, Bank of America Merril Lynch, Itaú BBA, Fundação Renova, Raia Drogasil S.A., Grupo Baumgart, Instituto Queiroz Jereissati, Sociedade Brasileira de Cultura Inglesa.

Satisfação e diversidade

Realizada anualmente, a edição 2018 da pesquisa de satisfação apresentou pontos a comemorar. Destaques para: 1) participação dos respondentes: 94 instituições, ou seja, 66% dos associados contribuíram com o levantamento; 2) Destaque para a produção de Instrumentos de disseminação de conhecimento como o 10º Congresso do GIFE, pesquisas sobre investimento social privado e Censo, publicações; 3) Grau de satisfação em relação às iniciativas de atendimento direto pela equipe do GIFE receberam as maiores notas. “Esses dados são termômetro para a nossa atuação e revelou certa estabilidade em relação a 2017”, contou Pamella Canato, analista de desenvolvimento institucional.

Jardim de Tulipas

Érica Sanches, gerente de Programas do GIFE, apresentou uma retrospectiva das ações de 2017 no formato que chamou de “Jardim de Tulipas” alimentado por “nuvens chuvosas” que regaram e fizeram as atividades tomarem corpo e crescerem. Entre as novidades do ano passado, houve a criação da Rede Temática de Cultura, que já organizou um encontro para discutir mudanças na Lei Rouanet com presença do Secretário de Fomento e Incentivo do Ministério da Cultura (MinC), além da realização de workshops de políticas públicas.

Os destaques da Rede Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente foram a participação na Mesa “Direitos das Crianças e Adolescentes como uma prioridade para as empresas”, na Conferência do Ethos sobre, em setembro, e no Seminário “Violência contra a criança e o adolescente: soluções e desafios”, promovido pela RT GDCA, em Brasília, em novembro de 2017.

A Rede LEQT – Leitura e Escrita de Qualidade para Todos iniciou, em agosto de 2017, a atuação conjunta com o poder público no território de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, a partir de uma demanda do município que se pretende uma cidade leitora. Projetos de indicadores de leitura e escrita também foram evidenciados pela coordenadora.

Encontros com Randall Kempner, diretor da Aspen Network of Development Entrepreneurs (ANDE), e com a OSC interface com as empresas NIS e Pitch gov, em julho e setembro, respectivamente, além da pesquisa para publicação “Olhares sobre atuação do Investimento Social Privado no campo de Negócios de Impacto” estão da lista de avanços da Rede Negócios de Impacto Social.

Já a Rede Gestão Institucional se mobilizou, de fevereiro a outubro, para participar dos Encontros sobre planejamento estratégico e gestão de metas, sobre cargos e remuneração, gestão de talentos e ainda participou do Seminário Internacional sobre o tema -Salzburg Global Seminar, na Áustria.

Rede, avaliação e pesquisa

A atuação em rede foi marcada pela participação no FIIMP – Fundações e Instituto de Impacto e por se tornar membro articulador do Comitê Gestor da Plataforma de Filantropia para os ODS (PNUD) e da Secretaria Executiva do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC),  compartilhando  diretamente  a  responsabilidade  de  fortalecer seu papel e de encabeçar iniciativas de debates e de incidência política. O GIFE está em outras articulações conforme o Relatório da Atividades de 2017.

A criação da Rede de Investidores Regionais do Interior Paulista foi destacada junto com a realização de encontros da Rede de Investidores Sociais em Curitiba sobre o panorama do Investimento Social Privado, e da RIS Distrito Federal com o tema de Avaliação.

A temática da avaliação impulsionou o GIFE a organizar quatro encontros compondo o Ciclo de Avaliação que resultou em três publicações: Avaliação para o investimento social privado: criar condições antes de avaliar, Avaliação para o investimento social privado: definir o caminho metodológico mais adequado, Avaliação para o investimento social privado: comunicar e utilizar a avaliação de maneira efetiva.

Em sua 4ª edição, a Pesquisa Salarial, que traça perfil do investimento social privado na área, ouviu 35 organizações participantes, com 3.052 colaboradores pesquisados, 15 benefícios e 91 cargos. Ela apresenta uma análise exclusiva de salários, benefícios, programas de remuneração em organizações, e outros dados. Entre as novidades deste ano estão: 1) A participação estendida para todas as organizações da sociedade civil interessadas, não apenas investidores sociais, compondo assim um cenário mais amplo do setor; 2) O estudo  apresentou  práticas  de  gestão  e  indicadores  de  gestão  de  pessoas,  bem  como  análises de recorte de gênero e outras comparações; 3)  Os participantes puderam se comparar com diversas empresas do setor privado existentes na base de dados da consultoria que conduziu os trabalhos.

E ainda ao longo do ano foram promovidos eventos para fomentar o diálogo, a expansão do campo, o contato com novos atores e a construção entre os diferentes perfis de investidores sociais. Destacam-se aqui o “Encontro GIFE de Investimento Social Familiar” e o “Encontro GIFE de Investimento Social Empresarial”. Ambos geraram os seguintes materiais: o Guia de Tendências e Práticas do Investimento Social Familiar e um vídeo com depoimentos e reflexões sobre os desafios e contribuições do ISF no Brasil; um Um vídeo com Reflexões sobre o Investimento Social Empresarial.

Mais cultura de doação

Uma novidade ainda de 2017, foi o lançamento do Fundo BIS por um grupo de organizações e indivíduos do qual o GIFE é sua incubadora. Trata-se do primeiro fundo brasileiro destinado exclusivamente para ampliar a cultura, o volume e a qualidade das doações no país. Em seu primeiro edital, o Fundo recebeu 218 projetos, selecionando 25 finalistas e quatro vencedores.

Influência e tomada de decisão

Dentro do leque advocacy, o maior desafio da área foi dar início e estabelecer o  desenvolvimento  do  projeto  Sustentabilidade  Econômica  das  Organizações da Sociedade Civil (Sustenta OSC), realização do GIFE e da FGV Direito São Paulo em parceria com Instituto de Pesquisas Aplicadas (IPEA), com o apoio da União Europeia, Instituto C&A, Instituto Arapyaú e Fundação Lemann.

Foram desenvolvidas ações nas frentes de conhecimento (pesquisas), comunicação (criação de identidade visual, plataforma virtual, produção e veiculação de conteúdo dedicado e realização de consulta pública sobre os temas do projeto), articulação (promoção de reuniões do grupo de discussão, OSC em Pauta e participação em eventos) e incidência (mapeamento legislativo, acompanhamento e realização de ações de incidência).

Entre os destaques está a construção da plataforma virtual Sustentabilidade  Econômica das Organizações da Sociedade Civil concebida como espaço para reunir todas as informações  sobre  o  projeto, tais como o mapeamento legislativo, debates online, vídeos  e publicações. Uma das ações deste projeto foi uma consulta pública que teve o objetivo de receber contribuições, do público em geral, de propostas e estratégias de alterações regulatórias que promovessem a ampliação dos recursos privados destinados às organizações da sociedade civil.

Em 2018, novas ferramentas se somarão à plataforma, em especial uma websérie composta por oito episódios na apresentação do cenário das agendas do projeto, seus principais desafios e atores do campo. Os entrevistados têm sido estrategicamente identificados de forma a compor um quadro que trará vozes de OSCs, investidores sociais e academia.

Comunicação como mobilização e impacto

A comunicação do GIFE, além de contribuir com a concepção da plataforma do projeto Sustentabilidade Econômica, participou da concepção, junto com comunicadores de organizações da sociedade civil, da Rede Narrativas. O grupo busca conectar comunicadores e profissionais interessados na área em uma rede comprometida em trocar experiências e gerar reflexões sobre o campo. Lançada no 10º Congresso GIFE, reúne nove instituições – Instituto Ayrton Senna, Instituto C&A, Mc&Pop Comunicação, Alana, GIFE, Instituto Unibanco, Fundo Brasil de Direitos Humanos, Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e agência Cause.

Outro destaque da comunicação em 2017, foi a celebração de mil edições do boletim semanal RedeGIFE, nesses 20 anos.

Compartilhamento de conhecimento

Criado em 2014 para possibilitar o acesso gratuito e ilimitado ao material produzido pelo campo e sobre o campo, a SINAPSE – a biblioteca virtual do GIFE foi reformulada em 2017 com novas funcionalidades. Foram 1.354 downloads, 12.823 páginas acessadas por 5.544 usuários de um acervo com 682 publicações disponíveis.

Os mais de 20 anos de existência do GIFE também marcaram 2017 com o GIFE Memória que, com o apoio da Fundação Iochpe, tem como objetivos resgatar a história da organização.

O ano ainda foi marcado pelo lançamento da 10º edição do Censo GIFE, em dezembro, e seguiu a mesma proporção de participantes da edição anterior: 90% dos associados, correspondendo a 116 respondentes associados. Foram lançados dois produtos desta edição: a publicação completa da pesquisa com um conjunto de artigos assinados que ampliam a reflexão sobre temas do levantamento e os Key Facts que são um hotsite, em inglês e em português, com as principais descobertas da pesquisa, produzido em parceria com o Foundation Center, dos Estados Unidos. Além de possibilitar acesso mais fácil e objetivo aos principais dados da pesquisa, vem proporcionado a difusão mais ampla dos resultados do Censo ao disponibilizar os dados internacionalmente.

10º Congresso GIFE

Ao final da assembleia anual, a presidente do conselho de governança do GIFE, Maria Alice Setubal  aproveitou a oportunidade para relembrar o X Congresso GIFE, que aconteceu em abril, uma vez que parte da sua concepção se deu em 2017. Sob o tema Brasil, democracia e desenvolvimento sustentável, o evento trouxe mais de 18 mesas, 81 palestrantes na programação fechada, 30 mesas e 110 palestrantes nas atividades abertas. Os debates completos estão no canal do YouTube do GIFE.

Neca trouxe oito aprendizados que foram apontados como tendências e oportunidades do evento: 1. Fortalecer as organizações da sociedade civil, 2. Investir em temas emergentes e urgentes da sociedade, 3. Fomentar a cultura de doação; 4. Ampliar iniciativas de cocriação, com ações em rede e agendas mais inovadoras; 5. Visualizar e apostar em novas formas de atuação diante da queda das fronteiras entre negócios e ISP; 6. Investir em processos consistentes, confiantes e transparentes; 7. Comunicar mais e melhor para mobilizar públicos diversos e 8. Atuar com foco e olhar a longo prazo a fim de ampliar os impactos na sociedade.

“O Congresso foi um momento de trazer novas causas e narrativas para contribuir com a construção de uma sociedade mais justa. E para isso, precisamos nos abrir para conversas com outros públicos, sensibilizar a sociedade para a cultura da doação estimulando a prerrogativa da responsabilidade de cada um. Além disso, proporcionar um ambiente de discussão sobre as inovações que o Investimento Social Privado pode gerar, porque pode arriscar. Temos um caminho a amadurecer nesse sentido”, avalia.

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