Congresso GIFE, Rede Narrativas e mais: debates e encontros movimentam a comunicação em 2018

Além das Redes Temáticas, comunicação foi um ponto de avanço para o GIFE em 2018. Atualmente, a simples menção a comunicação traz consigo um leque de possibilidades: comunicação de causas para angariar apoiadores, comunicação com pares para estabelecer conexões e pontes, comunicação do uso de investimentos e prestação de contas e muitas outras possibilidades. Nesse meio, está a comunicação social.

Uma recapitulação geral mostra que, em 2018, o GIFE publicou 49 edições do boletim redeGIFE, disponibilizou 157 novos vídeos no seu canal do YouTube, que recebeu 896 novos inscritos, além de ter atingido mais de 24.500 seguidores no Facebook e mais de 8.800 no Twitter.

O X Congresso GIFE, por exemplo, realizado em abril, em São Paulo, teve diversas mesas sobre inúmeros tipos de comunicação em sua programação. Uma delas foi um bate-papo entre Luana Lobo, sócia-diretora da Flow e da Maria Farinha Filmes, produtora brasileira e referência no campo social nacional, e Gabriel Brakin, conselheiro geral e vice-presidente de negócios da Participant Media, produtora de grandes filmes baseada em Los Angeles (EUA), entre eles o vencedor do Oscar de Melhor Filme “Spotlight” (2015).

O evento também reuniu as mesas ‘Desafios da mobilização: como transformar comunicação em ações concretas’, que apresentou três cases que se destacaram em meio à grande quantidade de informações atualmente; ‘Por que apostar no audiovisual para provocar transformação?’, com a presença do Alana, da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (FMCSV) e do Instituto Unibanco; e a mesa “Mídia, fake news e os riscos à democracia”. Saiba mais detalhes sobre essas mesas neste link.

Rede Narrativas

Além desses debates, o X Congresso GIFE foi palco para o lançamento da Rede Narrativas (veja o vídeo aqui). Cerca de dez organizações – Alana, Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Cause, GIFE, Bonita Produções, Instituto Ayrton Senna, Mc&Pop Comunicação, Fundo Brasil de Direitos Humanos e Instituto Unibanco – apoiam a iniciativa, que tem como objetivos aproximar e conectar comunicadores, promover a troca de informações e de experiências e fortalecer a comunicação como área estratégica nas organizações da sociedade civil (OSCs).

Carolina Pasquali, diretora de Comunicação do Alana e uma das participantes da rede, ressalta a importância da Rede no sentido de gerar conhecimento, trocar experiências, pensar em ações conjuntas e se posicionar como setor. Mariana Moraes, gerente de Comunicação do GIFE, por sua vez, afirma que a comunicação é área-chave para a transformação social e que mais organizações da sociedade civil precisam pensar nesse trabalho de forma estratégica. “Os próprios dados do “Censo GIFE” mostram que quase a totalidade dos associados veem valor na comunicação, mas, quando vamos para pontos específicos, percebemos que o entendimento ainda é superficial. Acreditamos que existe um enorme potencial para fortalecermos a área no campo. Esperamos que a Narrativas contribua com isso”, ressalta (saiba mais).

O conjunto de ações da Narrativas, incluindo a promoção de campanhas de engajamento e advocacy para enfrentar problemas sociais complexos e o mapeamento do setor de comunicação de organizações da sociedade civil no Brasil, objetivam o desenvolvimento do campo da comunicação para organizações sem fins lucrativos, com cada vez mais pessoas inspiradas e engajadas em causas sociais para construir uma sociedade mais justa (confira aqui o vídeo do Manifesto da Rede).

Durante o primeiro encontro do grupo, realizado em maio em São Paulo, mais de 70 comunicadores e gestores de 46 instituições discutiram sobre expectativas, demandas e desafios a serem definidos e enfrentados a partir de estratégias de atuação da Rede em 2018. Entre os temas debatidos estiveram a necessidade de ampliar o número de organizações participantes, a importância – para quem trabalha com comunicação – de definir um público-alvo que não seja tão amplo e a constituição de quatro grupos de trabalho (GTs) dentro da Rede: conteúdo, articulação, formação e captação de recursos.

A reunião serviu para que cada participante pudesse expor o que espera do grupo e a maioria das sugestões versaram sobre a Narrativas como um espaço de troca de conhecimento e descobertas de como lidar com os desafios da comunicação contemporânea e quais mecanismos e ações – possivelmente conjuntas e intersetoriais – podem ajudar no fortalecimento dessa comunicação.  

O segundo encontro, por sua vez, aconteceu em setembro, na capital paulista, para debater o conceito de ‘comunicação transformadora’. A expressão, segundo uma pesquisa online realizada pela Rede, traduz ideias centrais como comunicação que promove efetivamente algum tipo de mudança social, engaja, gera mudança de comportamento, informa com eficiência, produz reflexão, quebra paradigmas e sensibiliza/conscientiza.

A reunião contou com a apresentação de dois cases: a campanha “Chega de Fiu Fiu”, da Think Olga, organização que visa promover o empoderamento feminino por meio da informação, e o negócio de impacto socioambiental Menos 1 Lixo, que dissemina informações sobre consumo e sustentabilidade por meio de conteúdos multimídia.

Os dois casos serviram para inspirar o grupo, que após a exposição, se dividiu em pequenos núcleos para pensar a comunicação transformadora a partir de duas perguntas: quais são os elementos necessários para uma comunicação transformadora e o que essa comunicação está de fato transformando? Entre os pontos levantados na dinâmica estão comunicação como estratégia; uso de narrativas amigáveis em detrimento daquelas que criticam; linguagem acessível; design atraente; legitimidade baseada no interesse público; autenticidade para gerar empatia e engajamento; aproveitar o ‘timing’; uso de instrumentos como storytelling para gerar aproximação com o cotidiano; explorar diferentes canais e formatos de comunicação; foco na ação; gerar envolvimento dos públicos promovendo apropriação e empoderamento; trabalhar com objetivos práticos e tangíveis, entre outros.

ComNet

A criação e estabelecimento da Rede Narrativas, partiu, na verdade, de organizações brasileiras que vêm participando recorrentemente do ‘ComNet -The Communications Network Annual Conference’, conferência internacional de comunicação na área social.

Desde 2015, quando o tema do evento em San Diego, nos Estados Unidos, foi “Making Ideas Move” com a proposta de mostrar às pessoas como combinar suas ideias com o poder da comunicação estratégica a fim de aumentar a conscientização, mudar atitudes e incentivar as pessoas a se envolver, representantes do GIFE, de associados e outras organizações do Brasil participam da conferência, realizada anualmente nos Estados Unidos para debater o potencial da comunicação estratégica para a transformação social.  

A edição de 2017, por sua vez, aumentou consideravelmente o número de participantes e contou com a presença de cerca de 800 lideranças da área. Realizado em setembro, em Miami, nos Estados Unidos, o encontro teve algumas mensagens principais, como a necessidade de a comunicação do campo social ser corajosa e questionadora, colocando em pauta os desafios atuais e também inspiradora para compartilhar aprendizados e apontar resultados já alcançados.

Outubro de 2018 marcou a realização da mais recente edição do ComNet, dessa vez em São Francisco, nos EUA. Representantes do GIFE e da Narrativas destacaram, entre os pontos altos e recorrentes discutidos na conferência, a diversidade, já que pessoas negras e homossexuais conduziram atividades; o papel do advocacy na construção de uma nova narrativa ou mudança; a importância de simplificar a mensagem mesmo de problemas complexos, mas sem banalizá-los; além da definição de públicos específicos para os quais serão direcionadas as mensagens.

A rotatividade do evento, que a cada ano é realizado em uma cidade diferente dos EUA como forma de fortalecer a cultura e as organizações da sociedade civil locais, é um aspecto positivo segundo Mariana.

Em novembro, o Alana sediou uma reunião organizada pelo GIFE em parceria com a Cause e a Rede Narrativas com o objetivo de partilhar os aprendizados do ComNet e de outros eventos como South by Southwest (SXSW), The Future of StoryTelling (FoST) Festival e Fórum Econômico Mundial de Davos.

Lara Alcadipani, gerente de relações institucionais e comunicação da Fundação Lemann, e Laura Leal, coordenadora de comunicação do Alana, participaram do ComNet e dividiram com o grupo temas e debates de destaque, como a importância da diversidade, uma das marcas da última edição do evento, e o fato de que, apesar de o Brasil não perder para os Estados Unidos nos quesitos conhecimento e experiência, a conferência tem sido um momento de inspiração e reflexão importante para a continuidade do trabalho no Brasil. Além disso, Lara também reforçou que o tom do ComNet reforça a comunicação sob o ponto de vista do diálogo em detrimento da lógica emissor-receptor.

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